Cásper Líbero

Conheça a história de de Cásper Líbero

 

Cásper Líbero

BIOGRAFIA

ocasperNascido em Bragança Paulista, interior de São Paulo, em 2 de março de 1889, Cásper Líbero era um homem visionário. Era filho do médico e político republicano Honório Líbero e de Dona Zerbina, uma das mais respeitadas senhoras bragantinas; irmão de Nelson e José. Dotado de uma grande visão de marketing e ampla sensibilidade jornalística, revolucionou o conceito de jornalismo no País.

Na virada para o século XX, mudou-se de Bragança para capital da província, São Paulo. Daquele menino – nascido de uma família defensora da República desde os tempos do Império – formou-se aos poucos um jovem idealista, sempre de terno e, sobretudo, chapéu, óculos de grossa armação e de muita personalidade.

Com apenas 19 anos, formou-se como bacharel em Ciência Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito Largo São Francisco, na época a mais respeitada instituição de ensino superior no Brasil. Como advogado, chegou a trabalhar apenas por dois anos. Foi ainda Procurador da Fazenda do Governo do Mato Grosso. Trabalhou também, um pouco antes, como responsável pela sucursal do jornal “O Estado de São Paulo” na então capital brasileira, o Rio de Janeiro.

Na capital paulista, com 21 anos criou a primeira agência de notícias 100% nacional, a Americana, com sucursais no Rio de Janeiro e em São Paulo, e aos 23 anos, foi um dos fundadores do jornal Última Hora, de grande circulação na cidade do Rio de Janeiro, ao lado de Olegário Mariano, Raul Pederneiras, Luiz Peixoto e J. Carlos. Caracterizado por fortes críticas aos costumes da época e à política, o jornal foi fechado por ordens do Marechal Hermes da Fonseca.

Antônio Augusto de Covello, o terceiro dono de “A Gazeta” (depois de Adolfo Araújo e João Dente) resolve vendê-la ao jornalista Cásper Líbero. Assim, com 29 anos, em 14 de julho de 1918, este tornou-se diretor e proprietário do jornal “A Gazeta”, transformando a publicação em um dos maiores órgãos de imprensa da época.

Jornal_AGazetaCásper foi o responsável pela modernização do periódico com a importação de rotativas da Alemanha, composição e impressão gráfica, sendo o primeiro jornal a imprimir em cores no País; implementou novas tecnologias como o uso da rotogravura e a valorização das imagens na paginação; substituiu o telégrafo pelo teletipo; instalou uma nova dinâmica na distribuição do jornal, fazendo chegar ás mãos dos leitores em tempo recorde, tendo na rua, nesta época, a maior esquadrilha de viaturas de “A Gazeta” para realização deste processo.

Aquele jovem bragantino foi o primeiro empresário-jornalista do Brasil, capaz de organizar o seu jornal “A Gazeta” de maneira a obter lucros, mas sem deixar de promover um jornalismo correto e ético. Dotado de genial visão de marketing e ampla sensibilidade jornalística, revolucionou o conceito de jornalismo no país.

Porém, o sucesso de “A Gazeta” não era suficiente para o ainda jovem jornalista. Sua meta era criar um complexo de comunicações.

Apaixonado por esportes, foi o idealizador da “A Gazeta Esportiva”, publicada inicialmente como coluna, posteriormente suplemento do jornal, depois de maneira independente, sendo considerado o mais completo jornal de esportes da América Latina – realização que Cásper acabou não vendo, já que faleceu quatro anos antes da inauguração do jornal esportivo (em 1947). Foi também o responsável pelas primeiras transmissões de um jogo de futebol, que aconteciam no Rio de Janeiro, via alto-falantes instalados no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, narrados por telefone, em 1922. Somente dez anos depois as rádios paulistas começaram as transmissões de partidas fora da capital. Em 1934, inovou ao criar para o meio radiofônico a versão sonora de “A Gazeta”, através do programa Grande Jornal Falado d’A Gazeta, na Rádio Cruzeiro do Sul.

Para abrigar as novas instalações de A Gazeta inaugura em 1939 o Palácio da Imprensa, como seria chamada a sede do jornal, na antiga Rua Conceição, 88 – atual Avenida Cásper Líbero. O prédio foi o primeiro do País a ser construído especificamente para abrigar a redação, gravura, composição, impressão e distribuição de um jornal. O edifício contava ainda com um auditório, um salão de conferências, denominado Centro de Debates Econômicos Cásper Líbero, que recebeu conferencistas de alto nível, como economistas e políticos do Brasil e do exterior, e uma discoteca no terceiro andar, pois Cásper Líbero já previa a aquisição de uma emissora de rádio. No topo do edifício, de oito andares, um restaurante e um salão de festas contíguo, chamado “Roof de A Gazeta”, famoso por receber diplomatas, políticos, executivos de multinacionais, jornalistas de todo o mundo e por seus réveillons.

Reprodução de uma das notícias da página 10 do jornal A Gazeta de 5 de março de 1945, com o título :"Cortina Lirica o belo programa radiofônico na Gazeta PRA 6". A matéria fala sobre o programa Cortina Lirica, que recordava grandes óperas antigas usando uma orquestra sinfônica comandada pelo Maestro Armando Belardi.

Reprodução de uma das notícias da página 10 do jornal A Gazeta de 5 de março de 1945, com o título :”Cortina Lirica o belo programa radiofônico na Gazeta PRA 6″. (Clique para ampliar).

A década de 40 marca a trajetória do jornalista. Em 1943, com a difusão do rádio no país, Cásper Líbero investiu maciçamente no novo meio de comunicação, adquirindo a emissora pioneira de São Paulo: a Rádio Educadora Paulista, futura Rádio Gazeta PRA-6, e atual Rádio Gazeta AM – inaugurada em 15 de março daquele ano. O apelido de “Emissora de Elite” era usado para definir a programação da emissora, voltada para a elite cultural da época e enfatizando a música erudita e a clássica. A Rádio Gazeta era sucesso de público e crítica com sua refinada programação musical – como uma verdadeira escola para músicos e cantores foi decisiva para o aprimoramento de grandes talentos musicais.

Na manhã do dia 27 de agosto de 1943, o avião “Cidade de São Paulo”, da VASP, em que Cásper viajava, se chocou contra a Torre da Escola Naval, próximo à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O acidente trágico tirou a vida do jornalista, assim como de outros integrantes ilustres, como o Arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar. Foi uma comoção geral na época.

Antes de sua morte, Cásper deixou testamento, no qual prescreveu que seus bens deveriam ser destinados à criação de uma fundação. Tinha como objetivos principais assegurar o futuro e a prosperidade de seus veículos: A Gazeta, A Gazeta Esportiva e a Rádio Gazeta.

Suas ideias visionárias continuariam a ter espaço e condições de se tornar realidade. Cásper não tinha herdeiros, não era casado e seus dois irmãos não necessitavam de seus recursos. O jornalista, portanto, deixou expresso em seu testamento o desejo de que aquela fundação fosse criada a fim de apoiar a construção de uma sociedade justa e desenvolvida, por meio da educação qualificada e da comunicação.

Pensando em preparar futuros jornalistas, Cásper deixou em seu testamento os alicerces para a construção daquela que viria a ser a primeira Escola Superior de Jornalismo da América Latina. Uma sólida instituição de ensino, homônima ao patrono, cujos valores de ética e profissionalismo são ensinados até os dias de hoje.

Edifício GazetaA Fundação Cásper Líbero, que administra seus bens, atendeu ao desejo de Cásper e criou a primeira escola de Jornalismo do país. A Faculdade Cásper Líbero e TV Gazeta, já imaginada pelo jornalista, foram alguns dos muitos legados deixados por Cásper Líbero. Na primeira diretoria, mesmo deixando aos funcionários seu patrimônio, determinou no testamento que os irmãos José e Nelson Líbero estivessem presentes. Pelos membros diretivos, Nelson Líbero foi escolhido para ser o primeiro presidente da nova entidade. Em 10 de agosto de 1944, foi constituída a Fundação Cásper Líbero – um complexo de comunicação responsável pela gestão de marcas como a TV Gazeta, Rádios Gazeta AM e FM, os jornais A Gazeta e A Gazeta Esportiva (hoje GazetaEsportiva.net), além da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero e do Grupo Cidadania Empresarial. É uma instituição sem fins lucrativos que administra o patrimônio legado por seu fundador, o Edifício Gazeta, com 68 mil m² e 14 andares que abrigam todas as unidades da Fundação. O prédio tem ainda um teatro com capacidade para 900 pessoas e, em seu topo, estão instaladas a antena da Rádio Gazeta FM e a torre da TV Gazeta, com 85 metros de altura, um dos cartões postais da cidade e referência em uma das principais vias de São Paulo, a Avenida Paulista, em sua região mais central, no número 900.

Cásper não tinha herdeiros: não era casado e seus dois irmãos não necessitavam de seus recursos. Em testamento, cuidou para que suas obras tivessem continuidade, determinando a criação de uma fundação que administrasse todo o seu patrimônio, mantendo suas empresas de comunicação e estabelecendo como objetivo prioritário a criação de uma escola de jornalismo.

Para nossa Fundação, Cásper Líbero continua vivo em cada um de nossos trabalhos, através de seus grandes ideais.

 

UM BANQUETE EM SUA HOMENAGEM

Cásper Líbero, por conta do apoio à Revolução Constitucionalista de 1932, foi exilado pelo Governo Federal como rebelde. O jornalista então seguiu para Europa naquele mesmo ano. Getúlio Vargas, anos depois perdoou aqueles que apoiaram o movimento paulista. Assim, Cásper pode retornar ao Brasil e recebeu da alta sociedade e das entidades relacionadas à classe dos comunicadores a maior homenagem feita a um jornalista brasileiro até hoje. No extinto Rink São Paulo, milhares de pessoas estavam lá para prestigiá-lo, dando superlotação ao local. A “Homenagem a Cásper Líbero” aconteceu durante todo dia 25 de julho de 1934.

Crédito das fotos: Gazeta Press

 

CÁSPER LÍBERO E OS ESPORTES

Cásper Líbero sempre foi um admirador e incentivador do esporte. Instituiu, promoveu e divulgou várias provas populares, que se tornariam tradicionais.

Em 1924, ao assistir a uma corrida pedestre noturna em Paris, a March aux Flambeaux, idealizou a Corrida de São Silvestre, por ele assim chamada por se realizar, inicialmente, na noite de 31 de dezembro. Hoje, internacionalmente conhecida, a São Silvestre é a maior e mais famosa corrida pedestre do mundo.

A natação também foi lembrada por Cásper, que instituiu a prova Travessia de São Paulo a Nado. No ciclismo, criou a Prova Ciclística 9 de Julho e, para integrar estudantes, promoveu os Jogos Universitários Brasileiros. O futebol também era uma de suas paixões e o primeiro torneio por ele promovido foi o de Futebol de Várzea Cidade de São Paulo.

Os esportes passaram a ter destaque especial no jornal A Gazeta e o sucesso foi tamanho que Cásper criou um suplemento destinado exclusivamente para divulgar os eventos ligados a essa área. O tabloide foi chamado de A Gazeta Esportiva, inaugurado em 1947.

Em 1922, a cidade São Paulo ouviu pela primeira vez a transmissão de um jogo de futebol. Cásper Líbero mandou instalar alto-falantes no Vale do Anhangabaú e a transmissão foi feita por telefone.

Cásper Líbero foi um empreendedor e incentivador de todas as modalidades esportivas. O jornalista fez de “A Gazeta” um veículo difusor desta prática.

São Silvestre

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A Corrida Internacional de São Silvestre, uma das mais tradicionais provas de rua do mundo, foi idealização de Cásper Líbero. Em 1924, o jornalista assistiu à “March aux Flambeaux” na França, uma corrida noturna na qual os atletas carregavam tochas acesas. Entusiasmado, Cásper trouxe a ideia para o Brasil e primeira edição da corrida aconteceu em São Paulo em 31 de dezembro de 1925, à meia-noite.

Atualmente a prova é realizada pela manhã, possui 15km de percurso e cerca de 15 mil participantes, entre corredores profissionais ou amadores. O trajeto começa próximo ao MASP, e termina em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero, na Avenida Paulista.

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Prova Ciclística 9 de Julho

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Criada pelo jornalista Cásper Líbero, em 1933, a prova Ciclística Nove de Julho, a mais tradicional do Brasil no ciclismo, é uma homenagem ao início da Revolução Constitucionalista de 1932. A prova já teve como campeões grandes esportistas brasileiros e estrangeiros. Nos últimos anos a prova passou a acontecer no Autódromo José Carlos Pace, também conhecido como Autódromo de Interlagos.

Em 2015 o evento voltou a ser realizado pela Fundação Cásper Líbero e pela Gazeta Esportiva, que a levou novamente para as ruas de São Paulo, num trajeto que começa no Jockey Club e passa pelos parques Villa Lobos e Ibirapuera.

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